A chuva ainda ameaçou mas acabou por não estragar o quarto dia de concertos no Rock in Rio Lisboa 2012, que teve uma plateia de 73 mil pessoas.
A menina bonita da soul britânica,
Joss Stone, brindou o público
com perto de uma hora de concerto, passados 4 anos da sua presença no festival. Envergando um vestido lilás vaporoso -
e mais bonita a cada ano que passa - a artista agarrou a plateia desde o
início com um dos seus maiores trunfos: a simpatia, como tinha feito há
quatro anos naquele mesmo palco. A proximidade com os fãs é sempre
grande, mesmo quando Stone não se aproxima fisicamente deles.
Também não interessa que os êxitos tenham ficado todos guardados para o
final do espectáculo. A britânica tem uma voz suficientemente poderosa
para impedir o público de esmorecer.
"Temos novas canções para vocês",
exclama Stone antes de cantar "Stoned Out of My Mind". "Vamos testá-las e
depois vocês dizem-nos o que acham, ok?" - a reacção não terá sido a mais
entusiasta, mas também ninguém parece ter reclamado.
Já na recta final, "Fell in Love with a Boy", a versão do tema
dos White Stripes que a deu a conhecer ao mundo, voltou a injectar ânimo
num público que depois fica com ela, sem largar, com o gingão "You Had
Me" e, a encerrar, o sentido "Right to be Wrong", já com a multidão em
polvorosa.
joss stone ~ concerto completo ~ live @ rock in rio 2012
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| foto manuel lino para tvi 24 |
Não tem muito por onde falhar, um concerto de
Bryan Adams num festival como o Rock in Rio: perante uma multidão a perder de vista, o canadiano que passou parte da juventude em Portugal faz do seu espectáculo um desfile confiante de êxitos sobejamente conhecidos de todos os que, com a euforia de uma primeira vez, cantam, dançam, filmam e, quer-nos até parecer, rejuvenescem ao som de "Summer of 69", "Heaven" ou "Cuts Like a Knife".
Justiça seja feita ao sempre jovial cinquentão: Adams sabe-a toda. Interpela o público na altura certa, fala um pouco de português ("Vem aqui!", exclama, quando chama uma fã a palco para cantar "When You're Gone"), deixa o público cantar a plenos pulmões (impressionante o coro de "Heaven", por exemplo) e, num festival que muitas vezes é comparado, compreensivelmente, a um centro comercial ou a uma feira popular, oferece um concerto quase familiar, para não dizer intimista.
"A brincar" a brincar Bryan Adams conseguiu aquela que foi, talvez, a maior rendição popular deste Rock in Rio, superando até a euforia causada pelos Marron 5.
A transmissão televisiva começa com "18 Til I Die", já o espectáculo vai sensivelmente a meio e o público está mais do que aquecido. "Bryan! Bryan! Bryan!" é o coro espontâneo que se faz ouvir nesta altura, num cenário com muitas bandeiras portuguesas, brasileiras, espanholas e canadianas, e zero por cento de tristeza pela derrota da seleção nacional.
Com um repertório que os anos não esquecem (mas também não renovam) e uma presença afável e cativante, Bryan Adams foi, certamente, satisfeito e reconfortado para o quarto de hotel ou avião, e deixou os fãs da Bela Vista com um sorriso de orelha a orelha. Não se lhe pede mais nada.
A noite acabou por ser ainda mais especial para
uma fã chamada ao palco para cantar «When
You're Gone» com o canadiano. Pura coincidência ou momento ensaiado, a
verdade é
que Vanessa Silva não era uma jovem
qualquer e, como cantora profissional, esteve à altura da ocasião naquele
que disse ser o seu «maior sonho de sempre».
Já passava da 1h00 da manhã quando
Stevie Wonder foi
finalmente recebido
de braços abertos por uma plateia com
energia suficiente para dançar ao som de «Master Blaster» e «Signed,
Sealed, Delivered
I'm Yours».
Em solo de keystar no chão ou
improvisando ao piano ao sentir alguns chuviscos que teimaram em
regressar, Stevie
Wonder criou momentos mágicos que fizeram
as delícias daqueles que foram resistindo ao avançar da hora.
Sempre sorridente, Stevie Wonder não se cansou de lembrar: «Amo-vos».
Sentimento recíproco no abanar de ancas dos fãs numa noite de sucesso. Tocante foi também ver como Stevie Wonder - e a sua numerosa banda, na
qual milita a filha, Aisha Morris, nos coros - mostravam estar
verdadeiramente entrosados com o público e divertidos em palco.
Capaz de acariciar várias sensibilidades e livre dos constrangimentos do
modelo "mais uma cidade, mais um concerto em tudo igual ao anterior", a
estreia tardia de Stevie Wonder em Portugal foi, a todos os títulos, um
sucesso emocionante.
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